22 de fevereiro de 2009


Olhou a hora, 04h30min da manhã, já tinha perdido as contas de quantas vezes já havia olhado o relógio. Estava observando ela a algum tempo, achava tarde e além disso ainda havia uma outra pessoa com ela. A garota demonstrava que estava tentando se livrar do outro ou ansiava que ele a deixasse em paz, mas o tempo passava e nada.

Havia pouco mais de meia hora que ele estava a observando. Quando ia a lugares como esse, preferia observar. Ele gostava de olhar nos olhos. Fazia isso porque acreditava que eles podem passar mais informações do que podemos imaginar. Caso a outra pessoa retribuísse o olhar, era sinal de que estava aberta a conversas, e na maioria das vezes realmente estão.

Balada não é um bom lugar para conversar, mas às vezes ele abria as exceções e nessa noite ele abriu uma. Ficou observando, até que ela percebeu que estava sendo observada, e retribui o olhar com outro olhar amistoso e também um sorriso. Era o sinal que ele queria. Mas ainda havia a outra pessoa, houve um momento em que pensou ir até lá e cortar a conversa, mas preferiu arriscar e esperar. Nessa espera houve um abraço entre eles e momentaneamente pensou que não seria dessa vez. Mas...

Foi só um abraço, a banda cover de The Cure acabara a apresentação. Eram 05h00, agora ela estava ali na pista em pé, sozinha, então ela olhou para trás, esboçou um sorriso, que só ele viu, pelo menos achava que era só ele que havia visto. Já era tarde e queria ir embora, mas a vontade de ir até lá era muito maior, pensou que mesmo que não rolasse nada naquela noite ele não iria embora sem ao menos saber o nome. Pensou em algo para dizer a ela, em como ia chegar nela, aquela era uma boa hora, não tinha nenhuma banda tocando no palco, então daria para conversar tempo o suficiente, lembrou que não precisava pensar nada, ele saberia exatamente o que dizer. Os amigos o chamaram para ir embora, virou pra eles e disse que antes ele iria pegar o nome e telefone daquela garota , e foi.

Quando se aproximou e virou de frente, ela sorriu, ele tinha certeza que leu o pensamento dela naquele momento, "finalmente veio falar comigo". Então ele sorriu de volta fez o comentário idiota que achou no momento - "Podemos conversar um pouquinho?", a primeira pergunta sempre é tosca, depois de tudo que já havia rolado, a resposta era bem óbvia, claro que ela disse sim. Foi bem direto, falou que estava indo embora, mas não queria ir sem saber o nome e telefone dela, pois queria vê-la da próxima vez que fosse naquele lugar ou em qualquer outro. Ela respondeu as duas coisas educadamente, sempre sorrindo, um sorriso bonito olhando agora de mais perto, sua voz era levemente rouca, uma voz doce, daquelas que podemos ficar horas ouvindo sem enjoar, transparecia uma pessoa muito calma, desencanada e de bem com a vida. A conversa rendeu muito mais do que esperava, os minutos que achou que ficaria ali duraram pouco mais de trinta minutos e soube de muitas outras coisas nesse tempo, diversão, trabalho, estudo, tatuagem, músicas,viagens, shows, paganismo e até futebol, pois é, torcedora de carteirinha do São Paulo, e não foi ele que perguntou, falar de futebol com ela e naquele lugar, em nenhum momento passou na cabeça dele, ela fez questão de falar.

Depois que se despediram na porta da Ocean, isso foi logo depois que a ultima banda tocou que foi a Mister Superstar, cover de Marilyn Manson, do qual confessou não ser muito fã, ainda voltou a encontrar ela e a amiga na estação, no Brás, quando se separam, combinaram mais uma vez de marcar alguma coisa para fazerem juntos. Ele vai ligar, talvez na semana que vem, não no outro dia. Quando contou a conversa para os amigos eles riram, pois queriam saber como que consegui falar tanto, que ela pode até ter cansado, bom, pode até ser, mas ele não perguntava quase nada, ela simplesmente ia falando e ele ouvia tudo com muita atenção, gostava de ouvi-la.

Quando chegou em casa, ficou pensando em tudo que aconteceu nesse final de semana, e concluiu que foi melhor até do que imaginava, estava satisfeito consigo. Na volta para casa, os amigos o atormentaram pois acharam insucesso ter ficado tanto tempo conversando e não ter conseguido nada a mais. Ele não pensava assim, valeu a conversa, e acreditava que o futuro lhe reservava ainda muitas conversas. Aquela foi só a primeira
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