Ele não é como os escritores que costuma ler, sempre os tinha como algo além, os considerava um nível muito além daquele onde seres humanos como ele podiam chegar, considerava alguns até mesmo profetas, profundos conhecedores essência humana, capazes de com simples palavras, apontar toda a hipocrisia, mentira e orgulho corrupto que a maioria está mergulhada. Então pensava, definitivamente não era como eles. Se algum dia poderia ser, ele não sabia, mas só fato de ter consciência disso, já o fazia diferente de muitos outros. Não gostava de pensar nisso, se policiava, pois achava estar sendo arrogante, um defeito latente em todos.
No fundo queria ser como eles, ter a eloqüência que tinham, ter a visão que tinham, ter a alma como a que eles tinham, nem grande e nem pequena. Sem limites. O “limite” para ele era algo inventado pelos homens, para não terem de enfrentar o terror de pensar em coisas infinitas. Para ele, talvez até para outros, limitado era os humanos, mas simplesmente por que queriam.
Sempre ficava se perguntando quando teria pessoas como eles novamente na face da terra. Sempre ficara impressionado com a capacidade de que tinham de brincar com as palavras. Brincavam com as palavras como se fossem crianças em posse de bolas de gude. Como ainda não tinha a benção das musas, como seus mestres tinham, pensava como poderia brincar com a própria existência.