30 de março de 2008

Ele não é como os escritores que costuma ler, sempre os tinha como algo além, os considerava um nível muito além daquele onde seres humanos como ele podiam chegar, considerava alguns até mesmo profetas, profundos conhecedores essência humana, capazes de com simples palavras, apontar toda a hipocrisia, mentira e orgulho corrupto que a maioria está mergulhada. Então pensava, definitivamente não era como eles. Se algum dia poderia ser, ele não sabia, mas só fato de ter consciência disso, já o fazia diferente de muitos outros. Não gostava de pensar nisso, se policiava, pois achava estar sendo arrogante, um defeito latente em todos.

No fundo queria ser como eles, ter a eloqüência que tinham, ter a visão que tinham, ter a alma como a que eles tinham, nem grande e nem pequena. Sem limites. O “limite” para ele era algo inventado pelos homens, para não terem de enfrentar o terror de pensar em coisas infinitas. Para ele, talvez até para outros, limitado era os humanos, mas simplesmente por que queriam.

Sempre ficava se perguntando quando teria pessoas como eles novamente na face da terra. Sempre ficara impressionado com a capacidade de que tinham de brincar com as palavras. Brincavam com as palavras como se fossem crianças em posse de bolas de gude. Como ainda não tinha a benção das musas, como seus mestres tinham, pensava como poderia brincar com a própria existência.

5 de março de 2008

Nada para ser dito, apenas a ouvir, a observar, é o que faz de melhor.
Sabe que não há pessoas iguais as outras, mas as observa. Elas se erforçam em achar coisas em comum, mesmo tentando a todo custo serem diferentes umas das outras.
Observa e ouve as pessoas e os rumos que tomam, sente o vazio que preenche muitas delas, e que não fazem conta disso. Mas há as excessões, se achava com sorte de saber que as excessões fazem parte de sua vida.

Pensa frequentemente se há algo a ser mudado, e sempre há, mas já não se preocupa mais com isso. Se preocupa apenas em ir em frente. Ao tempo que não lhe falta nada, também lhe falta tudo, mas é só detalhes, detalhes que podem ser grandes ou pequenos. Só não podem se tornar grandes preocupações.

Não se preocupar em mudar não quer dizer negligenciar com si próprio, é apenas saber que elas ocorrem naturalmente conforme segue em frente, afinal, cada passo dado em frente, algo se altera dentro de si e se é em frente, lógicamente, foi bom.

Então, está sempre seguindo em frente.