3 de fevereiro de 2008


Então, ele se decidiu, quis falar para ela o quanto era importante, o quanto era inspiradora, o quanto era bela, que ela era seu alfa e o omega . Queria dizer que jamais havia sentido o que sentia, era um mundo totalmente novo de sensações dos quais não conhecia e não sabia como explicar. Não aguentava mais guardar tudo aquilo. Então pensou em escrever, buscou colocar tudo aquilo que sentia em palavras, será que é possível ? Será que ela vai gostar ? Não vai achar brega ? Quantos fazem esse tipo de coisa ? Escrever um carta ? Faz sentido ? Ela é minha vizinha, a vejo todos os dias, acho que ficará estranho escrever uma carta pra alguém que está tão perto. E essas foram todas as indagações que vieram em sua mente quando pretendia escrever. Então pensou, que mal haveria ? Quantos antes já não havia feito isso e obtido sucesso ? Sim, havia alguns, a maioria deles nos livros de estórias, em contos de fada s e ficções. Na vida real as coisas eram bem diferentes, mas, naquele momento o mundo rel era tudo o que aquele jovem não vivia.

Então fez, o que nunca tinha feito antes, escreveu, colocou sua alma naquelas palavras, pensava que era o melhor que podia fazer, pensava que ela era a melhor que podia compreende-lo, pensava que ela era a melhor pessoa para receber tudo aquilo que ele tinha para dar.

Mas isto, é um algo que não depende apenas de uma pessoa, depende da outra, mas tinha coisas demais para pensar já, jamais pensaria nisso. Todo ser humano está fadado ao engano, porque seria diferente com ele.

Foi até o Correio, andou muito mais para ir até o Correio do que se tivesse simplesmente colocado a carta na caixa de cartas da vizinha. E então esperou, o tempo pareciam eras para ele. Foram três dias de espera, se perguntava porque o correio não era mais rápido. Pensou, que idiotice, afinal, ela era vizinha, poderia ter levado pessoalmente.

Então, seu amigo lhe procurou, como sabia que era apaixonado, e sabendo que ele ficaria feliz ao saber que ELA havia perguntado dele, seria a notícia do século. Pelos dias que havia passado, seu amigo não sabia, mas ele sabia que ela perguntou por causa da carta.

Coragem, esta é uma palavra presente no vocabulário de poucos, e ele não pertecia àquele pouco. Na hora seguinte ao receber a notícia, ele telefonou. Perguntou se ela havia recebido a carta e se havia lido, foi muita ingenuidade,a resposta foi um sonoro não. O mundo acabou, não estava preparado para aquilo, não naquela época, não naquele momento, então, respondeu “Ok, então depois conversamos, tchau” e desligou o telefone . E agora ? Pensou.

Dias se passaram, muitas coisas aconteceram, então ele tentou outra vez, por telefone, e foi bem trágico. Era pior cada vez que tentava concertar.

Hoje, quando se lembra, é tudo muito cômico. Ainda gosta dela, não como naqueles longícuos tempos, onde não conhecia o mundo e ainda menos da natureza humana, mas, pensa em como ela está, e se sabe como o ajudou a ser a pessoa que é hoje. Talvez um dia saiba, talvez nunca.