5 de fevereiro de 2009

Mais uma vez na avenida, mas hoje ele estava dando alguns dos passos mais importantes da vida dele, poucos sabiam além dele próprio, talvez um amigo ou outro, por estar sempre comentando perto deles, que queria muito aquilo.

Talvez para alguns é algo bem simples, mas para ele não, nada relacionado às metas que estabeleceu, é simples. E havia atingido uma meta, não tinha se dado conta até aquele momento, estava meio tenso por isso, já havia deixado para trás tudo que tinha se passado dias antes, e agora caminhava, eram 8:40 , estava bem no horário, parou em um sinal que estava fechado para pedestres em frente ao MASP, observou à volta e viu as pessoas indo e vindo, falando ao telefone, parando em alguma banca para ver as primeiras páginas dos jornais, alguns olhavam a hora a cada dez passos, contavam os segundos para o sinal abrir e conseguirem atravessar a rua, sempre preocupadas, consigo próprias, mendingos pedindo esmolas, panfleteiros insistindo em vender um negócio que não é deles, que não sonham em receber nem um milionésimo dos que os contrataram recebem, carros indo e vindo sempre com pressa, circulavam na via como se fosse sangue circulando em nossas veias levando oxigênio, a diferença é que os carros não levam oxigêncio, muito pelo contrário, o contaminam, mas eles levam os negócios e negociantes naquelas vias, ou seja, carregavam o oxigênio daquela avenida e daqueles prédios.


Bom agora de certo modo ele faz parte daquela rotina, iria ver a mesma coisa todos os dias mas apesar da rotina que teria de enfrentar estava feliz e nada iria tirar aquilo dele, queria compartilhar com mais algumas pessoas, se sentia estúpido em alguns momentos, pois se sentia o caipira que saiu do interior pra conhecer a cidade grande. Mas lembrava-se que já conhecia à muito tempo a cidade grande, lembrou que já havia muito tempo que já estava dando esses passos, só estava completando uma etapa, de muitas outras.


Estava a observar o semáfaro, aguardava-o abrir, não percebeu quando a luz ficou verde e fechou novamente, até que um apressado o esbarrou ao correr enquanto o sinal fechava novamente para os pedestres. Nesses curtos segundos se lembrou de quanto custou a aprender mas aprendeu a ser confiante, e achava que o maior mérito de tudo isso, foi não ter perdido a confiança em si mesmo e também por não deixar tirarem isso dele dias atrás, deu a volta por cima mais rápido do que imaginava e era muito grato isso, pois sabe que além da confiança em si, houve a confiança em forças além dele, e isso também conta, qualquer tipo de fé conta, e muito.


O sinal abriu, agora estava à poucos metros, de começar oficialmente uma nova fase, a tensão passou, afinal não há o que temer, pois lembrou que é um dos poucos que pode dizer que está onde queria estar.

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