Sentia-se deprimido, quando lhe perguntavam o que era, mentia, dizia que estava apenas cansado, mas o olhos, os olhos nunca mentem, qualquer um que fosse perpicaz poderia sentir um pouco do que lhe ocupava a mente. Era um alguém, sim, era Ela.
Pensava nas conversas das noites anteriores, essas conversas estavam realmente tomando lhe o sono, a mente, a alma e o coração. Ainda não eram capaz de tirar-lhe toda a concentração, mas ocupavam boa parte de seu pensamento.
Dizia para si que não teria uma conversa com Ela por um tempo, mas no fundo ansiava por uma mensagem clamando-lhe, com aquela pitada de exagero como todas as outras vezes, para ligar, e ele ligaria, afinal, gostava de se embriagar daquela situação.
Têm se falado quase todas as noites, e em todas elas trocavam sonhos, trocavam confidências, trocavam palavras doces, faziam planos juntos. Mas Ela nunca lhe dava segurança, quando pensava que realmente poderia ocorrer algo, ela o devastava com aquelas palavras, todas as noites que conversavam ela lhe dizia aquilo. Ele nunca comentava, mas queria entender por que ela sempre lhe dizia aquilo.
Uma vez comentou à Ela que estava desanimando com este "sentimento", que não guardava mais tanta expectativa, ela lhe respondeu que este "sentimento" não tem culpa, que as pessoas são culpadas, ele concordou, ela lhe perguntou quem estava me desanimando, quem estava empedrando este coração. Ele ficou sem voz, ela insistiu, ele gaguejou, respirou fundo, e falou que ela sabia, ela é mulher, mulheres sentem cheiro disso a quilômetrôs, elas lêm isso nos olhos dos homens como se estivessem lendo o próprio horóscopo. Então ele ouviu as palavras de novo. Quis perguntar então o porque de tudo aquilo, de toda aquela conversa, de todas aquelas palavras se no final ela prefere deixar o ego dela vencer, ditar as coisas, pensava se era tanta vergonha assim admitir que coisas diferentes do que ela julgou por ser certo para o resto da vida, pudesse acontecer. Ele sempre via um algo de verdadeiro nos olhos e nas palavras dela, mas não entendia porque se contrariava. Admitia o que sentia por ela independente do que ela é e seria, Pensava então qual era a dificuldade dela de pelo menos tentar. Respirava fundo para não deixar a arrogância e a prepotência tomarem conta de si, afinal, nem todos podiam ser como ele.
Ele não quis responder nada, um breve silêncio tomou conta, então logo trocaram de assunto, mais uma noite iria se passar e não iria conseguir resolver essa situação. Talvez não haja nada para resolver mesmo. Começou a pensar seriamente que aquilo não iria dar em lugar nenhum, não estava dependendo mais dele.
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