Não conseguia prestar atenção em nada naquele dia, contemplava o horizonte cinzento, que se escurecia cada vez mais com o passar das horas, pensou consigo o quanto ainda iria esfriar naquele final de tarde. Apesar do frio, achava que o dia estava bom, mesmo com a melancolia que escondia dentro de si, gostava dos dias frios, muitos não gostam, mas ele gostava, sentia-se mais animado. Quando voltou para a tela do computador tentou se concentrar mais uma vez, mas não conseguiu, fora interrompido:
- O que é esse aparelho ? - antes que soubesse a resposta - É um MP! ( MP4 queria dizer) , legal... é seu ? - perguntou curioso.
- Não, é do meu irmão, trouxe porque precisava ouvir as lições da aula de Inglês.
- Bom, isso é bom, coisa de pessoas cultas - lhe disse então prestando atenção no aparelho - Você é uma pessoa culta, não é ?
Pensou por um instante, então respondeu:
Pensou por um instante, então respondeu:
- Sim ! Sim ... creio que sim- ainda meio em dúvia - Acho que de certa forma eu tenho de ser, precisamos ser! - já mais convicto.
- Sim, sim, se não formos, passam por cima de nós.
Ficou um tempo pensando naquele curto diálogo que teve. E concordou, tinha de ser, se não fosse, talvez não teria chegado até ali. Exagero ? pensava. Não, não era. Se não houvesse buscado trabalhar as qualidades que têm, como teria chegado até onde chegou. Um flash passava-lhe na mente. Um breve resumo, de tudo que fez e teve que ceder, teve que trocar, para que até ali chegasse. Flash dos muitos golpes que levou, e que se não fosse por essa busca, teria perecido a muito tempo. Pensava que desta maneira, seria sua única chance de manter um pouco da sua liberdade. Pensava que já poderia ter sido atropelado pelo sistema, como alguns dizem, a muito tempo, e ser só mais um Ser desvivente, com a única função de aumentar o câncer que se instala com o passar dos tempos no mundo.E os bastidores ?! Os bastidores de tudo isso é ... é e será desconhecido em sua quase-certeza, envolvia muitas coisas, coisas das quais ficam guardadas em sua mente, coisas das quais as vezes se tem medo até de pensar, medo de que alguém próximo, de nossa não-confiança, possa estar ouvindo. Um medo infantil na maioria das vezes, uma vez que, cada um é cada um, e a maneira como chegou até ali, no fim (?), importará apenas para ele mesmo, o protagonista.

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